May 28, 2009

Linkedin web

Como usar a internet para obter um emprego

Sites especializados e redes sociais oferecem milhares de vagas; saiba como usar a rede a seu favor
Reid Hoffman, do LinkedIn
Dave Getzschman/Divulgação
Reid Hoffman, criador do LinkedIn: 41 milhões de usuários em 200 países
 
Por Marcio Orsolini | 28.05.2009 | 08h35

Portal EXAME -

A vitrine de uma loja é o principal artifício para chamar atenção dos clientes para os produtos. Todo mundo olha o que a loja oferece e até quem não pensava em comprar pode mudar de ideia se o produto for de qualidade. Com a internet não é diferente. Principalmente para quem deseja encontrar uma oportunidade de emprego. Com a proliferação de sites especializados em carreira e redes sociais, é possível fazer da web uma vitrine. E acredite: os recrutadores estão de olho.

Segundo as principais consultorias de recursos humanos ouvidas pelo Portal EXAME, a internet se tornou uma das principais fontes de busca por profissionais e de divulgação de vagas de emprego. "Ela democratiza o acesso às vagas. Todo recrutador profissional vai pesquisar na internet e nas redes sociais. É uma forma eficiente de aumentar o leque de opções", diz Willian Bull, consultor sênior de capital humano da consultoria de recursos humanos Mercer.

Em pesquisa recente, o Ibope Nielsen Online constatou que os brasileiros passam em média 26 horas online por mês - e boa parte desse tempo usado na busca de um emprego. Os sites enquadrados na categoria "carreira" tiveram 5,1 milhões de usuários únicos em dezembro, o equivalente a 20% dos internautas residenciais do país. Hoje há cerca de 100 sites de carreira, envio de currículos ou concursos públicos, além de redes sociais especializadas em emprego.

A internet, no entanto, não substitui tradicionais etapas até a contratação como entrevistas com headhunters, RH de empresas e com o empregador direto, a quem cabe a decisão final. Mas é uma grande vitrine para mostrar suas competências profissionais. Veja a seguir como usar a internet para encontrar oportunidades de emprego.

Redes sociais
Se engana quem pensa que as redes sociais servem apenas para o lazer. O fato de poder formar uma rede de contatos fez com que o uso de ferramentas como Orkut e Facebook, por exemplo, se tornassem um meio de buscar emprego e se mostrar disponível às novas oportunidades. No Orkut, a rede de relacionamentos mais popular no país, há 996 comunidades com a palavra "emprego". Elas oferecem vagas com carteira assinada, trabalhos temporários, estágios e programas de trainee nas mais diversas áreas e regiões do país. A comunidade "Empregos em São Paulo", por exemplo, conta com quase 10.000 membros.

Recentemente, o serviço de microblogs Twitter vem ganhando a atenção dos usuários. Ele é a rede que mais cresce em todo o mundo. Lançado em 2004, o Twitter registrou 19,1 milhões de usuários em março, segundo a comScore, empresa de medição de audiência na internet, um aumento de 194% em relação a fevereiro. É claro que uma rede tão grande se torna um bom lugar para a divulgação de vagas. Pensando nisso, o foi inaugurado o serviço Twitter Jobs, que compila vagas de diversas áreas postadas na rede.

Mas há também perfis criados especificamente para isso. É o caso de Trampos, criado em maio de 2008, pelo webdesginer Tiago Yonamine, destinado principalmente à profissionais que trabalham com internet. Desde então foram postadas 280 vagas e cerca de 50 pessoas foram contratadas. Entre elas está a designer industrial Vanessa Marques. A paulistana de 29 anos trabalha como arquiteta de informação da agência de publicidade Almap BBDO há oito meses. Ela decidiu procurar uma nova oportunidade quando soube que a produtora onde trabalhava iria fechar. "Consegui cinco entrevistas em um mês. Foi a primeira vez que procurei emprego na internet", conta ela que também ficava de olho nas oportunidades do portal Click Jobs, especializado em vagas para a internet.

Sem dúvida a rede social que mais se destaca na busca por empregos e formação de contatos é o LinkedIn. Criado em 2003 pelo empresário americano Reid Hoffman (leia entrevista aqui), o site conta hoje com 41 milhões de usuários - 500 mil deles só no Brasil, o que faz o país figurar na lista dos dez maiores em número de cadastrados. Gratuitamente, profissionais de qualquer área e escolaridade podem se cadastrar e participar de grupos de empregos. Mesmo com essa democracia, o LinkedIn se tornou referência para headhunters em busca de profissionais qualificados. E tem se mostrado eficaz.

É o caso da analista de TI Solange Oliveira, de 40 anos. Há três anos quando ela criou um perfil no LinkedIn, seu objetivo inicial era outro. "Queria apenas manter contato com as pessoas que trabalharam comigo. Não acreditava que poderia conseguir um emprego", diz ela. A rede de contatos - uma das bases do site - ajudou Solange. Depois de deixar o cargo de gerente de TI, ela avisou em seu perfil que buscava novas oportunidades. No mesmo dia, recebeu o contato do diretor de uma empresa de materiais esportivos para saber se ela gostaria de participar de um novo projeto. O diretor da empresa é amigo de um ex-colega de trabalho de Solange, que a recomendou para a vaga. "Nós marcamos uma conversa pelo Skype e depois de três semanas fechamos o contrato quando ele veio participar de um evento em São Paulo", conta ela que hoje ganha o dobro do salário anterior como diretora de e-commerce. O projeto, ainda sigiloso, vai construir uma rede de e-commerce para a empresa. Agora, ela também está contratando novos profissionais para sua equipe via LinkedIn. 

QI com recompensa
Uma das formas mais comuns encontradas por consultores de recursos humanos para encontrar candidatos é a indicação. Pensando nisso, dois novos sites apostam na figura do indicador para encurtar o tempo do processo de seleção, baseados no site inglês Zubka. Em março deste ano, a empresa de RH Allis, uma das maiores do Brasil, lançou o Indica, um site de hunting online.

O Indica é procurado por empresas para divulgar oportunidades de emprego. Qualquer um pode indicar profissionais que atendam aos requisitos das vagas divulgadas no site. A empresa faz então uma triagem dos melhores candidatos e envia para as empresas. Se alguém da lista for contratado, o Indica recebe uma comissão de 60% do salário mensal do novo funcionário. Já a pessoa que fez a indicação pelo site recebe uma comissão de 300 a 2.500 reais.

"A ideia é que em dois ou três dias você tenha uma lista de candidatos para uma vaga, enquanto um processo de seleção normal, sem o uso de internet, mas através de headhunters, leva cerca de duas semanas", explica o criador do site Dan Turkieniez. Segundo ele, o serviço é particularmente interessante para empregos com salários de 2.000 a 15.000 reais, um nicho ainda pouco atendido por headhunters e consultorias de RH.

A base atual do site tem 5.000 indicadores e cem empresas cadastradas – entre elas, a Natura e a Odebrecht. Para evitar indicações aleatórias de candidatos, apenas visando a recompensa, o número do CPF é pedido na hora do registro, e um ranking de indicadores é feito regularmente. "Quem abusar, fica bloqueado no sistema", diz Dan.

O Indica foi inaugurado recentemente, mas já possui concorrentes. O engenheiro Helder Santos e a consultora de recursos humanos Fran Winandy criaram em novembro de 2008 oAlludere. A ideia do site é focar também nos indicadores. Neles e nas empresas apenas. A empresa anuncia suas vagas e o site dispara alertas para sua rede de 1 000 indicadores que enviam currículos de candidatos à Alludere. Lá é feita uma triagem dos candidatos e os mais qualificados são encaminhados para a próxima etapa do processo.

"Como ainda somos um serviço recente, as empresas ainda mantém paralelamente seus próprios métodos de seleção, seja por headhunters ou internamente", explica Fran. Caso um candidato seja contratado pela empresa, o indicador recebe 50% dos honorários pagos a Alludere. "Nosso preço varia de 8% a 11% do salário anual. A ideia é ter o valor menor que um headhunter, que cobra de 15% a 22%", diz Fran.

Há quase dois meses, a publicitária Flávia Favaro Moreno, de 33 anos, foi contratada como gerente de comunicação corporativa da Eurofarma num processo que durou apenas dez dias. A indicação foi da administradora Christine Gautier, da Bebop Consulting, com quem a Alludere já havia entrado em contato para fazer parte do banco de indicadores. "Depois da entrevista com a Christine passei por mais duas etapas: entrevista no RH da empresa e com a diretora da minha área", conta Flávia.

Cadastre seu currículo 
Uma das dicas dos profissionais de recursos humanos é para que os candidatos se cadastrem na página do trabalhe conosco. "É o primeiro lugar que as empresas olham quando precisam de alguém", diz Jairo Okret, sócio-diretor da Korn/Ferry, responsável pela área de TI para busca de profissionais. Para a consultora Jacqueline Resch, da Resch Recursos Humanos, os candidatos não apenas cadastrar, mas sempre atualizar seus currículos em sites de empresas.

Tradicionais e eficazes também são os sites que funcionam como banco de currículos. Um exemplo é o americano Monster, um dos maiores do mundo, com 80 milhões de cadastrados. Criado em 1994, o site só chegou ao Brasil há dois anos. A versão nacional ainda é pequena, mas vem apresentando um forte ritmo de crescimento. Em janeiro de 2008 havia 20 000 usuários. Um ano depois o número saltou para 180 000, com a maioria das vagas para ensino superior, com foco em nas áreas de vendas, marketing, finanças, TI, telecom, administrativo e engenharia. O usuário se cadastra no banco de dados gratuitamente.

Criado em 1996, o Catho é um dos mais populares sites de emprego do país. O site é indicado principalmente para profissionais com salários de até 5.000 reais. Hoje, ele conta com uma base de 1,9 milhão de inscritos – sendo 200 mil ativos, que concorrem a milhares de vagas em diversas áreas. Em média, o site diz que ajuda na contratação de 7.000 pessoas por mês.

O analista contábil Eber do Vale, de 38 anos, conseguiu pela segunda vez um emprego pelo site Catho. Em dezembro do ano passado, ele resolveu fazer o teste de uma semana gratuita oferecida pela empresa. No mês seguinte, o RH de uma consultoria entrou em contato com ele e, depois de uma bateria de testes, conseguiu a vaga. No entanto, o emprego não era o que Eber estava esperando. Novamente ele decidiu utilizar o Catho, dessa vez pelo plano mensal que saiu por 59 reais. Na semana seguinte foi contatado por outra empresa, onde trabalha desde abril.

Para atender à população com menos escolaridade, o governo do Estado de São Paulo encontrou na internet uma forma de organizar as vagas disponíveis. Lançado em novembro de 2008, o site Emprega São Paulo reúne atualmente 501.000 vagas nas mais diversas áreas. Desde sua criação as mais oferecidas foram faxineiro, vendedor, operador de telemarketing entre outras. O resultado é positivo. Até agora 6.000 pessoas foram contratadas.

Como aparecer na internet
- Cadastre-se no canal "Trabalhe Conosco" das empresas que você tem interesse. É o primeiro lugar onde as empresas buscam novos profissionais.
- Mantenha seu currículo atualizado em sites de recrutamento e consultorias de RH.
- Nas redes sociais, faça networking com pessoas da área que você atua. Mostre-se disponível a novas oportunidades, mas tome cuidado com a exposição excessiva.
- Manter um blog sobre o assunto que você domina é um jeito de divulgar seu trabalho.
Fontes: consultores e headhunters


''Os brasileiros sabem usar a internet muito bem''

Em entrevista exclusiva, o fundador do LinkedIn, Reid Hoffman, fala sobre como usar a web para buscar oportunidades de emprego e fazer contatos
 
Por Marcio Orsolini | 28.05.2009 | 08h36

Portal EXAME -

O LinkedIn é a maior rede social voltada para contatos profissionais do planeta. Sucesso também no Brasil, o site é bastante consultado por headhunters e profissionais da área de recursos humanos para encontrar candidatos a empregos disponíveis nas empresas. Em entrevista ao Portal EXAME, o fundador do LinkedIn, Reid Hoffman, fala sobre como usar a web para buscar oportunidades de emprego e fazer contatos.

Como as pessoas devem usar a internet para encontrar um emprego?
Hoje em dia todo mundo deve ter um perfil online. Se há uma coisa a ser feita, é manter um perfil completo com suas experiências profissionais e escolaridade. Perfis mais completos têm chances 50 vezes maiores de ser contatado para vagas do que aqueles que deixam um breve resumo. É interessante também estabelecer contatos na rede, o que aumenta suas chances de encontrar alguma oportunidade.

Com frequência empresas verificam o perfil de um candidato em redes sociais mais ligadas ao lazer como o Orkut. Em alguns casos o candidato pode até perder a vaga dependendo de sua postura. O senhor concorda com essa atitude?
Realmente pode ser prejudicial ao candidato revelar informações pessoais em excesso na internet. Geralmente eu aconselho às pessoas a manter seus perfis sociais, como o Orkut, protegidos, e o profissional, como o LinkedIn, público. Se você busca emprego na rede, é o seu perfil profissional que deve ficar visível para a maior quantidade de pessoas.

Além do LinkedIn, o senhor acha que outras redes funcionam?
Orkut e Twitter podem ajudar a encontrar vagas caso você diga a todos os seus contatos que você está procurando por novas oportunidades. Esses sites não representam sua identidade profissional, mas são boas formas de manter e aumentar a rede de contatos.

O Twitter é a grande novidade atualmente. O que o senhor acha da ferramenta?
Ele está crescendo a taxas incríveis, mas acredito que as pessoas ainda estão aprendendo a melhor maneira de usá-lo. De fato é uma ferramenta de comunicação importante.

Por que decidiu criar o LinkedIn?
Como empresário, decidi construir uma ferramenta de sucesso. Criei o LinkedIn porque achava que poderia mudar a forma de trabalhar e tornar os contatos mais eficazes. O que faz uma pessoa um bom profissional é a habilidade de aumentar os contatos. A internet é uma arma poderosa para isso.

A que você atribui o sucesso do LinkedIn, que hoje já tem 41 milhões de usuários em 200 países?
Acredito que seja exatamente esse objetivo de criar uma rede de contatos profissionais. O LinkedIn não é um site que você utiliza apenas para buscar emprego. É um lugar onde você pode criar sua identidade profissional. Como resultado, o site é relevante até mesmo quando alguém não está procurando emprego. Há um novo membro por segundo atualmente.

O senhor planeja parcerias com universidades em busca de novos talentos?
As universidades geralmente criam um canal de alunos. Não é necessária uma parceria formal.

O senhor tem contato com headhunters e empresas que estão em busca de profissionais?
Sim, as empresas nos pedem para ajudá-las a encontrar algum talento. Nós oferecemos serviços corporativos para ajudar as empresas a contratarem.

Há apenas um escritório fora dos Estados Unidos, ele está em Londres. Pretende abrir mais?
Nós temos planos de expansão, mas nada oficial até agora.

O Brasil é um bom mercado?
Sim, é o nosso maior mercado na América Latina com cerca de 500 mil cadastrados. Acredito que isso acontece porque os brasileiros sabem como usar a internet muito bem. Enquanto usam o Orkut para o lazer, eles acessam o LinkedIn para o lado profissional.

Acredita que empresas 2.0 vão desaparecer com a crise?
Com essa recessão, quem não tiver um modelo de crescimento sustentável certamente vai desaparecer.

Recentemente o senhor mencionou que não tem planos para fazer um IPO. Mas considera a possibilidade no futuro?
É possível, porém estamos focando na ampliação da empresa e na construção de seus valores. Já que não precisamos do dinheiro de investidores, é uma boa razão para não fazer uma oferta de ações agora. O LinkedIn se sustenta sozinho, não é necessário colocar dinheiro meu nele. Preciso investir meu tempo. Neste ano estamos investindo em infraestrutura e na contratação de novos funcionários.

Numa entrevista recente, o senhor disse que pergunta aos candidatos entrevistados o que eles escreveriam em suas lápides. Qual seria o texto da sua?
Espero que eu ainda tenha muito tempo para trabalhar nisso, mas acredito que colocaria algo como "empresário que fez a diferença na vida de milhões".

http://portalexame.abril.com.br/carreira/brasileiros-sabem-usar-internet-muito-bem-473514.html


 Reid Hoffman, criador do LinkedIn